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FUTURO MAIS QUE PROMISSOR

É de conhecimento comum a crise agropecuária amargada por Mato Grosso do Sul no ano de 2005, em decorrência da febre aftosa. Mas, agora a boa nova que irá se difundir Brasil a fora será sobre o despertar deste gigante. É isso mesmo. O Estado que enfrentou grande turbulência no mundo do agronegócio relacionada ao embargo da produção de carne bovina, busca firmar seu potencial como maior mercado produtor brasileiro. Mato Grosso do Sul se superou e vai agora além do binômio boi-soja. O status adquirido se mantém, e felizmente não é mais o único, já que setores do agronegócio como silvicultura, suinocultura, avicultura... ganharam espaço.

O recente reconhecimento do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) do Mato Grosso do Sul à condição de área livre de febre aftosa com vacinação muito favorece o Estado do Pantanal na busca de sua estabilização no mercado agropecuário nacional. O novo status sanitário suspende as restrições impostas ao trânsito e comércio de animais e produtos de risco para a doença de Eldorado, Japorã e Mundo Novo. Nesses municípios, foram detectados, em 2005 e 2006, focos de febre aftosa que determinaram as restrições. O que irá contribuir para que Mato Grosso do Sul retome as exportações.

 

Problema antigo

O rebanho sul-mato-grossense é o terceiro maior do país e, desde 2005, o Estado estava impedido de comercializar animais e seus produtos para outras regiões do Brasil e o exterior. “Esse reconhecimento iguala Mato Grosso do Sul a outros estados com o mesmo status sanitário”, explicou o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes. Lembrando que o Brasil é o maior exportador de carne bovina do mundo e os embargos provocam baixas na entrada de divisas, o que afeta a balança comercial e o mercado interno.

A secretária de Desenvolvimento Agrário, Produção, Indústria, Comércio e Turismo (Seprotur), Tereza Cristina Corrêa, reconhece o revés vivenciado na pecuária sul-mato-grossense. “O pecuarista trabalhou durante mais ou menos quatro anos na margem negativa e isso levou a uma acentuada matança de matrizes. Quem teve oportunidade buscou novas alternativas, arrendando suas terras, quem não teve alternativa, trocou de sistema, passando de cria para recria e engorda. O problema está resolvido, mas afetou grandemente o setor pecuário estadual”.

Ela reafirma a importância da reabilitação do Mato Grosso do Sul na OIE (Organização Mundial de Saúde Animal), mas acredita que isso não é tudo. “O Estado terá que correr para se habilitar já que o reconhecimento à condição de área livre de febre aftosa com vacinação não quer dizer que a venda de carne bovina in natura para a União Européia (UE) seja realiza de imediato. As propriedades rurais precisam estar habilitadas no SISBOV (Serviço Brasileiro de Rastreabilidade da Cadeia Produtiva de Bovinos e Bubalinos) e certificadas. O Mapa repassará a UE a listagem de propriedades credenciadas para que realizem as auditorias de habilitação. Todo um processo necessário para quem deseja exportar para o mercado europeu, reconhecidamente exigente”.

Para o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso do Sul (Famasul), Ademar Silva Júnior, a liberação à exportação é importante, e também a manutenção desse status sanitário. “A UE é extremamente exigente, mas é o cartão de visitas de qualquer um que queira ganhar o mundo para comercializar sua carne. O Mato Grosso do Sul tem agora essa oportunidade. Mas, é preciso especializar cada vez mais nossa pecuária e credenciar as propriedades, o que não é fácil já que a vistoria é extremamente rigorosa. Trabalhamos junto com o Mapa e órgãos de vigilância estadual para intensificar isso com os produtores rurais. Mostramos a importância de lançar mão de tecnologia e de cuidar eficientemente do aspecto sanitário do seu rebanho para que o trabalho de instituições, como a Famasul e governo estadual e federal, não vá por água a baixo. Acreditamos que o setor de carne do Mato Grosso do Sul tem um futuro muito positivo, principalmente no mercado internacional”.

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