Problema antigo
O rebanho sul-mato-grossense é o terceiro maior do país e, desde 2005, o Estado estava impedido de comercializar animais e seus produtos para outras regiões do Brasil e o exterior. “Esse reconhecimento iguala Mato Grosso do Sul a outros estados com o mesmo status sanitário”, explicou o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes. Lembrando que o Brasil é o maior exportador de carne bovina do mundo e os embargos provocam baixas na entrada de divisas, o que afeta a balança comercial e o mercado interno.
A secretária de Desenvolvimento Agrário, Produção, Indústria, Comércio e Turismo (Seprotur), Tereza Cristina Corrêa, reconhece o revés vivenciado na pecuária sul-mato-grossense. “O pecuarista trabalhou durante mais ou menos quatro anos na margem negativa e isso levou a uma acentuada matança de matrizes. Quem teve oportunidade buscou novas alternativas, arrendando suas terras, quem não teve alternativa, trocou de sistema, passando de cria para recria e engorda. O problema está resolvido, mas afetou grandemente o setor pecuário estadual”.
Ela reafirma a importância da reabilitação do Mato Grosso do Sul na OIE (Organização Mundial de Saúde Animal), mas acredita que isso não é tudo. “O Estado terá que correr para se habilitar já que o reconhecimento à condição de área livre de febre aftosa com vacinação não quer dizer que a venda de carne bovina in natura para a União Européia (UE) seja realiza de imediato. As propriedades rurais precisam estar habilitadas no SISBOV (Serviço Brasileiro de Rastreabilidade da Cadeia Produtiva de Bovinos e Bubalinos) e certificadas. O Mapa repassará a UE a listagem de propriedades credenciadas para que realizem as auditorias de habilitação. Todo um processo necessário para quem deseja exportar para o mercado europeu, reconhecidamente exigente”.
Para o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso do Sul (Famasul), Ademar Silva Júnior, a liberação à exportação é importante, e também a manutenção desse status sanitário. “A UE é extremamente exigente, mas é o cartão de visitas de qualquer um que queira ganhar o mundo para comercializar sua carne. O Mato Grosso do Sul tem agora essa oportunidade. Mas, é preciso especializar cada vez mais nossa pecuária e credenciar as propriedades, o que não é fácil já que a vistoria é extremamente rigorosa. Trabalhamos junto com o Mapa e órgãos de vigilância estadual para intensificar isso com os produtores rurais. Mostramos a importância de lançar mão de tecnologia e de cuidar eficientemente do aspecto sanitário do seu rebanho para que o trabalho de instituições, como a Famasul e governo estadual e federal, não vá por água a baixo. Acreditamos que o setor de carne do Mato Grosso do Sul tem um futuro muito positivo, principalmente no mercado internacional”.