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PREFERÊNCIA MILENAR

A origem do cavalo Árabe permanece envolta em mistério e divergências históricas. Mas, não há dúvida de que é a raça eqüina mais antiga do mundo - a primeira imagem aparece num baixo relevo egípcio do século 16 a.C.. E não foram as qualidades de conformação, equilíbrio e beleza que levou ao grande apreço pela raça, e sim sua extraordinária capacidade como cavalo de guerra por sua resistência, velocidade, agilidade e inteligência.
A paixão pela raça levou uma série de homens poderosos, como faraós, reis e imperadores, a reunir o que havia de melhor. Os preços pagos eram escandalosos, cidades inteiras chegaram a ser trocadas por esplendidos animais, quando não eram arrancados a preço de sangue.

O cavalo árabe no Brasil

A criação brasileira do cavalo Árabe teria iniciado no Rio Grande do Sul em 1929. É o que informa o presidente da Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Árabe (ABCCA), João Roberto Sorvilo. Mas, existem informações de que muitos animais chegaram ao país bem antes disso. Há referência de que Dom Pedro I teria proclamado a Independência do Brasil no dorso de um cavalo Árabe. A belíssima obra exposta no museu do Ipiranga na cidade de São Paulo seria uma prova concreta disso. Entretanto, é o gaúcho Guilherme Echenique Filho o merecedor do mérito da criação regular do cavalo Árabe no Brasil ao importar da Argentina o garanhão Rasul e mais sete éguas puras. Já o primeiro Puro Sangue Árabe brasileiro nasceu em 15 de outubro de 1929. Uma fêmea, registrada com o número 8 no livro de Registro e o brasileiríssimo nome Airé.

 

Em 1941, o Departamento Animal do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) deu início a uma das mais importantes criações brasileiras da época ao realizar uma importação de quatro garanhões e 13 éguas Árabes da França. Até a década de 60, os principais criadores brasileiros eram o Mapa, o Governo do Rio Grande do Sul e a Família Echenique que registraram juntos mais de 98% dos cavalos da raça na época. Praticamente toda a produção era dirigida para a utilização nos Regimentos de Cavalaria do Exército e para a regeneração de tropas de fazendeiros por meio de postos de monta.

A criação do cavalo Árabe no Brasil só começou a mudar em 1964, quando Aloysio de Andrade Faria importou três garanhões e seis éguas dos Estados Unidos e fundou a ABCCA. Com a criação brasileira organizada e iniciada exposições, leilões e importações, o número de animais expandiu. A nova fase foi marcada pelas grandes importações e pela difusão da raça em todo o território nacional. Chegaram ao Brasil Campeões Nacionais Americanos e Canadenses e reprodutoras de campeões, com isso a raça passou a ser criada em treze estados brasileiros.

Quase um século após o primeiro registro de um cavalo Árabe no país, a criação brasileira agora exporta animais para países da América do Sul, América do Norte, Europa, África, Oriente Médio e Austrália e é reconhecida como uma das mais importantes criações do mundo. Tem cerca de 35 mil cavalos puros registrados e 3241 haras inscritos no Stud Book. Na ABCCA o número de criadores e usuários associados gira em torno de 1400.

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