E apesar de haver empenho do governo federal com programas como o Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), programas estaduais de auxílio técnico e associativismo, são muitos os desafios há vencer.
Que o diga Gustavo Porto e Silva, produtor de hortigranjeiro no município gaúcho de Cachoeira do Sul, que reclama da ausência de explicações para o uso dos recursos. "O governo federal diz 'plantem', mas não explica qual método de irrigação usar". O pequeno produtor mostra, contudo, que a vontade de trabalhar pode superar a falta de incentivos oficiais.
Do pai, Alcino da Rosa e Silva, herdou o gostar das 'coisas da terra'. E apesar do nível de escolaridade (o antigo 2º grau – que na época lhe rendia o chamado de Doutor por alguns) e da reprovação de amigos e parentes, optou por dar continuidade ao trabalho do patriarca. Sem contar com nenhum apoio oficial, correu atrás e implantou no ano de 1991, tecnologia de irrigação na pequena propriedade, que atualmente possui uma área de cultivo de quatro hectares. Com isso, de safrista, passou a colher quase que diariamente.
Tecnologia aplicada
A maioria das tecnologias desenvolvidas visa aumentar a produtividade da terra e algumas, como máquinas e equipamentos adaptados aos pequenos e médios produtores, têm como objetivo eliminar a ociosidade da terra ou aumentar a produtividade do trabalho. E quando bem usadas, mostram-se adequadas e viáveis.
Porto e Silva sabe disso. Aprendeu que os benefícios da irrigação para uma determinada cultura só podem ser alcançados em sua plenitude quando o sistema for utilizado com critérios de manejo que resultem em aplicações de água em quantidades compatíveis com as necessidades de consumo da cultura