Agricultura familiar mostra todo o seu potencial, em especial na
diversificação da produção e nas alternativas para geração de renda

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O setor agropecuário familiar é sempre lembrado por sua importância na absorção de emprego e na produção de alimentos, especialmente voltada para o autoconsumo. Em alguns produtos básicos da dieta do brasileiro, como o feijão, arroz, milho, hortaliças, mandioca e pequenos animais, chega a ser responsável por 60% da produção. Constituída por pequenos e médios produtores, a chamada agricultura familiar representa a imensa maioria de produtores rurais do Brasil – são cerca de 4,5 milhões estabelecimentos, dos quais 50% só no Nordeste.

Cabe ainda destacá-la como fator redutor do êxodo rural. A melhoria de renda deste segmento por meio de sua inserção no mercado exerce assim impacto importante no interior do país e por consequência nas grandes metrópoles. Só que essa inserção no mercado depende de tecnologia e condições político-institucionais (acesso a crédito, canais de negociação, energia, etc).

 

 

E apesar de haver empenho do governo federal com programas como o Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), programas estaduais de auxílio técnico e associativismo, são muitos os desafios há vencer. Que o diga Gustavo Porto e Silva, produtor de hortigranjeiro no município gaúcho de Cachoeira do Sul, que reclama da ausência de explicações para o uso dos recursos. "O governo federal diz 'plantem', mas não explica qual método de irrigação usar". O pequeno produtor mostra, contudo, que a vontade de trabalhar pode superar a falta de incentivos oficiais.

Do pai, Alcino da Rosa e Silva, herdou o gostar das 'coisas da terra'. E apesar do nível de escolaridade (o antigo 2º grau – que na época lhe rendia o chamado de Doutor por alguns) e da reprovação de amigos e parentes, optou por dar continuidade ao trabalho do patriarca. Sem contar com nenhum apoio oficial, correu atrás e implantou no ano de 1991, tecnologia de irrigação na pequena propriedade, que atualmente possui uma área de cultivo de quatro hectares. Com isso, de safrista, passou a colher quase que diariamente.

Tecnologia aplicada
A maioria das tecnologias desenvolvidas visa aumentar a produtividade da terra e algumas, como máquinas e equipamentos adaptados aos pequenos e médios produtores, têm como objetivo eliminar a ociosidade da terra ou aumentar a produtividade do trabalho. E quando bem usadas, mostram-se adequadas e viáveis. Porto e Silva sabe disso. Aprendeu que os benefícios da irrigação para uma determinada cultura só podem ser alcançados em sua plenitude quando o sistema for utilizado com critérios de manejo que resultem em aplicações de água em quantidades compatíveis com as necessidades de consumo da cultura

 

 

 

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